Os encontros espaçados foram dando lugar a lanches mais frequentes, almoços, jantares, atividades, enfim. À medida que o tempo foi passando fui sendo presença mais assídua na vida do Mário e na vida familiar do Henrique. Eu rejubilava, era cada vez mais feliz. Já tinha chorado e desesperado durante muito tempo, à espera que o amor da minha vida finalmente me assumisse, finalmente desse o passo em frente: enfrentar uma família tradicional, que já o tinha visto passar por um divórcio e pior, um filho, uma criança hiper mimada e super agarrada ao pai. Um miúdo que via o pai como um herói e que ainda se estava a adaptar à separação dos pais. Não entendia na altura, mas agora que conheço a dinâmica familiar, entendo: trazer uma nova pessoa, uma mulher para a vida do pai e para a vida dele era sem dúvida um grande passo a dar…
Achava muita graça ao Mário. Era uma criança vivaça, animada, meio tontinho até, mas com piada. Uma criança feliz, apesar de passar por uma separação dos pais. Por mais que nos dias de hoje seja cada vez mais frequente ver filhos de pais separados, todos temos a noção que ninguém (salvo raras situações) quer a separação dos seus progenitores. É um projeto falhado que afeta muitas pessoas para além do casal desfeito. Mesmo assim o Mário estava bem, seu pai fazia de tudo para que assim fosse e, talvez por isso ele tenha sido muito mimado: nunca ouviu um não, ou um não podes, ou não quero ou não vamos fazer. Foi sempre sim, todas as vontades do Mário sempre foram satisfeitas e isso explica muitos dos problemas que surgiram depois… Sinto até hoje que o Henrique carrega um sentimento de culpa por se ter separado duas vezes. Ao mesmo tempo admiro a “coragem” dele ter tomado uma atitude quando as coisas não estavam bem, de ter procurado a sua felicidade salvaguardando a felicidade do seu filho (e a minha também).
