Uma "mádrasta" (im)perfeita…

Desabafos de uma mulher apaixonada pelo seu marido que ganhou (sem querer) dois enteados desafiantes, um deles adolescente. Esse inspirou-me a criar este blog, como desabafo e partilha de histórias reais, com nomes fictícios. Não vá o meu marido se aborrecer e pedir o divórcio…

  • Os encontros espaçados foram dando lugar a lanches mais frequentes, almoços, jantares, atividades, enfim. À medida que o tempo foi passando fui sendo presença mais assídua na vida do Mário e na vida familiar do Henrique. Eu rejubilava, era cada vez mais feliz. Já tinha chorado e desesperado durante muito tempo, à espera que o amor da minha vida finalmente me assumisse, finalmente desse o passo em frente: enfrentar uma família tradicional, que já o tinha visto passar por um divórcio e pior, um filho, uma criança hiper mimada e super agarrada ao pai. Um miúdo que via o pai como um herói e que ainda se estava a adaptar à separação dos pais. Não entendia na altura, mas agora que conheço a dinâmica familiar, entendo: trazer uma nova pessoa, uma mulher para a vida do pai e para a vida dele era sem dúvida um grande passo a dar…

    Achava muita graça ao Mário. Era uma criança vivaça, animada, meio tontinho até, mas com piada. Uma criança feliz, apesar de passar por uma separação dos pais. Por mais que nos dias de hoje seja cada vez mais frequente ver filhos de pais separados, todos temos a noção que ninguém (salvo raras situações) quer a separação dos seus progenitores. É um projeto falhado que afeta muitas pessoas para além do casal desfeito. Mesmo assim o Mário estava bem, seu pai fazia de tudo para que assim fosse e, talvez por isso ele tenha sido muito mimado: nunca ouviu um não, ou um não podes, ou não quero ou não vamos fazer. Foi sempre sim, todas as vontades do Mário sempre foram satisfeitas e isso explica muitos dos problemas que surgiram depois… Sinto até hoje que o Henrique carrega um sentimento de culpa por se ter separado duas vezes. Ao mesmo tempo admiro a “coragem” dele ter tomado uma atitude quando as coisas não estavam bem, de ter procurado a sua felicidade salvaguardando a felicidade do seu filho (e a minha também).

  • O início, que envolve um príncipe e vários princípios

    Qualquer semelhança com outra coisa que não seja a minha própria história não passa de mera coincidência. Os nomes de todos os envolvidos são fictícios.

    Quando conheci aquele que viria a ser o meu segundo marido, estava comprometida. Com planos para casar, nos próximos anos, com um homem calmo, amigo, pacato e sem graça… Porém, na altura, fazia todo o sentido para mim: amava-o e idealizava aquilo que (todas) as mulheres idealizam: casar, ser mãe e viver o meu conto de fadas. Lembro como se fosse hoje o que a minha ex sogra disse no final da cerimónia na igreja: ” que seja por muitos anos”, ao que eu respondi convictamente e quase com ar de ofendida: “será para sempre!!!” Estava enganada.

    Com o passar dos anos o inevitável aconteceu. Quando algumas situações não correm como queremos ou como esperamos, o conto de fadas começa a dar lugar a outro conto. O casamento sem filhos e cada vez mais sem sentido, desmoronou. O amor de outrora acabou. Olhava para aquela pessoa e já não sentia nada, apenas indiferença e alguma repulsa. Foi gradual. Ao mesmo tempo, aquele colega de trabalho que logo na primeira troca de olhares me chamou a atenção, tornava-se cada dia mais interessante, mais excitante, mais apetecível, tudo o que eu queria. Quando ele, o “Henrique” olhou para mim da mesma forma que eu já olhava para ele, a faísca aconteceu, o amor nasceu. Pouco tempo depois separei-me, dois anos depois separou-se ele e juntamo-nos para viver a mais incrível e verdadeira história de amor que vivi, vivo e vou viver até ao fim dos meus dias. Sou muito feliz, mas até a maior das felicidades traz consigo inesperados desafios.